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  • terça-feira, 4 de novembro de 2014

    ABORTOS E INFANTICÍDIOS - BEBÊS ENCURRALADOS NO CIRCO DA MORTE (Jorge Hessen)

    Jorge Hessen
    http://aluznamednte.com.br

    No artigo “Aborto após o nascimento: por que a criança deveria viver?”, publicado em 23 de fevereiro de 2014, no Journal of Medical Ethics, os autores Alberto Giubilini e Francesca Minerva, acadêmicos em Melbourne, Austrália, argumentam que "o que chamamos de aborto após o nascimento (o assassinato de um recém-nascido) deveria ser permitido em todos os casos em que o aborto também o é, inclusive naqueles em que a criança não é deficiente.” Em vez do termo infanticídio, universalmente utilizado para descrever o procedimento, eles adotaram a expressão "aborto após o nascimento. [1]
    Uma tendência observada por ativistas pró-vida junto aos estudantes universitários nos EUA, “é a crescente aceitação do “aborto pós-nascimento”, ou seja, matar a criança depois de seu nascimento, afirmam líderes pró-vida ao “The Fix College”. Os campi onde ativistas locais e membros da equipe dos “Criados Iguais” encontraram estudantes com esta opinião incluem Purdue, da Universidade de Minnesota e a Universidade Central da Florida.” [2]
    Ao comentar qualquer coisa sobre o hediondo crime de infanticídio ou aborto sempre esbarraremos com histórias monstruosas, abomináveis e desonrosas. Gerald Warner, no Scotland on Sunday, assegura que "o lugar mais perigoso do mundo para uma criança na Escócia é o útero da mãe. Em 2010, a mortalidade infantil levou 218 crianças escocesas à morte. O aborto, 12.826". [3]
    Recentemente a grande mídia noticiou que as autoridades policiais desmontaram um grande esquema de clínicas clandestinas de aborto no Rio de Janeiro. Foram presas dezenas de pessoas que tiveram mandados de prisão expedidos pela justiça, na operação batizada de “Herodes”. As clínicas eram execrandos feirões do aborto. Seus proprietários estão milionários. Em média, tais matadouros faturavam cerca de R$ 300 mil por mês. Não é para menos, pois se cobrava R$ 1.000,00 para uma curetagem, R$ 2.000,00 para a sucção e R$ 2.500,00 para destroçar o bebê através do vácuo.
    Espera-se que com a operação “Herodes” seja definitivamente desmantelada a quadrilha de malfeitores e “médicos” cruéis. Tal quadrilha realizava diariamente dezenas de assassinatos de bebês no Rio de Janeiro. Dentre os verdugos aprisionados estão alguns “médicos” idosos, reincidentes no crime e inexplicavelmente com o registro profissional regularizado, a exemplo do Dr. “A.G”, de 88 anos (isso mesmo, quase 100 anos de idade); a médica A.M.G.B, de 65 anos, que já tinha sido indiciada em 2001 por 6352 abortos em São João de Meriti, na Baixada Fluminense; o carniceiro Dr. B.G.S, de 80 anos, conhecido como “Doutor Aborto”; Dr. C.E.S.P, conhecido como ‘Paulista’, de 43 anos; Dr. G.L.S, de 72 anos e Dr. E.S.F, de 64 anos.
    Os arautos da legalização do aborto evocam as péssimas condições em que são realizados os procedimentos nas clínicas clandestinas. Porém, em que pese o argumento, não nos enganemos, imaginando que o aborto oficial irá resolver a questão do assassinato das crianças no útero; ao contrário, o aumentará bastante! E o pior, continuará a ser praticado em segredo e não controlado, pois a clandestinidade é cúmplice do anonimato e não exige explicações das mulheres que esconderão da sociedade o monstruoso delito do aborto praticado.
    Com exceção da gestação que coloque em risco a vida da gestante, quaisquer outras justificativas são inadmissíveis para uma mulher decidir pelo aborto. Se compreendesse as implicações sinistras que estão reservadas para ela, certamente refletiria milhões vezes antes de extinguir um ser indefeso do próprio ventre. Analisemos o inusitado e repugnante comportamento de Rowena Shrimpton, uma britânica de 49 anos que afiança ser apaixonada pelo marido, Roger, com quem está casada há 28 anos. Até aí nada de mais; todavia ela revelou ao jornal Daily Mail que engravidou aos 21 e aos 30 anos e nas duas gravidezes deliberou fazer o aborto para não compartilhar o marido com ninguém, nem mesmo com um filho.[4]
    Sob essa insana inquietação, Shrimpton pressupunha que a gestação poderia deformar seu corpo e danificar sua aparência, o que poderia diminuir o “amor” (desejo) de Roger. Presentemente, com 49 anos, Rowena revela que nunca pensa nos bebês eliminados no próprio ventre ou até mesmo como eles seriam atualmente se não tivesse abortado. Seu único receio hoje, pasmem! é que Roger, seu idolatrado esposo, desencarne antes dela, pois acredita que não conseguirá viver sem sua “cara metade”. Só podemos concluir que Rowena Shrimpton é uma psicopata e carece de tratamento psiquiátrico.
    Um aborto praticado sob as justificativas de Rowena, mesmo diante de regulamentos humanos (o aborto é permitido na Inglaterra), é um crime ante os estatutos de Deus. O grande mestre Chico Xavier ressalta: "os pais que cooperam nos delitos do aborto, tanto quanto os ginecologistas que o favorecem, vêm a sofrer os resultados da crueldade que praticam". [5] Se os tribunais do mundo condenam, em sua maioria, a prática do aborto, "as Leis Divinas, por seu turno, atuam inflexivelmente sobre os que alucinadamente o provocam. Fixam essas leis no tribunal das próprias consciências culpadas tenebrosos processos de resgate que podem conduzir ao câncer e à loucura, agora ou mais tarde. (...)". [6]
    Os inveterados defensores dessa prática defendem o direito da mulher sobre o seu próprio corpo, como argumento para a descriminalização do aborto. Contudo, para os preceitos espíritas, o corpo do embrião não é o da mulher, visto que ela abriga, durante a gravidez, um outro corpo que não é, de forma alguma, a extensão do seu. O nascituro não é um objeto qualquer semelhante a máquina de carne, que pode ser desligada de acordo com interesses circunstanciais, porém um ser humano com direito à proteção, no lugar mais fantástico e sublime que Deus criou: o templo da vida, ou seja, o útero materno.
    Não nos enganemos, a medicina que executa o aborto nos países que já legalizaram o assassínio do bebê no ventre materno é uma medicina criminosa. Não há lei humana que atenue essa situação ante a Lei de Deus. Parece que no Brasil a taxa de interrupção de gravidez supera a taxa de nascimento. Essa situação tem estimulado grupos dispostos a legalizar o aborto no Brasil, torná-lo fácil, acessível, higiênico, juridicamente “correto”. Contudo, ainda que isso possa vir a ocorrer, JAMAIS esqueçamos que o aborto ilegal ou legalizado SEMPRE será um CRIME perante as Leis Divinas!
    Óbvio que não lançamos os anátemas da condenação desapiedada àquelas que estão submergidas no corredor escuro do aborto já perpetrado, até para que não caiam na vala profunda da desesperança. Expressamos ideias cujo escopo é iluminá-las com o fanal do esclarecimento para que enxerguem mais adiante a opção do Trabalho e do Amor, sobretudo nas adoções de filhos rejeitados que atualmente amontoam nos orfanatos. "É preciso também saber que a lei de causa e efeito não é uma estrada de mão única. É uma lei que admite reparações, que oferece oportunidades ilimitadas para que todos possam expiar seus enganos! [7] Errar é aprender, destarte, ao invés de se fixarem no remorso inócuo, precisam aproveitar a experiência como uma boa oportunidade para discernimento futuro.


    Referências bibliográficas:
    1 Disponível em http://www.zenit.org/pt/articles/o-aborto-e-o-infanticidio acesso 31/10/14
    2  Disponível em http://www.thecollegefix.com/post/19896 acesso  31/10/14
    3 Disponível em http://www.zenit.org/pt/articles/o-aborto-e-o-infanticidio acesso 31/10/14
    4 Disponível em http://mulher.terra.com.br/vida-de-mae/mulher-fez-dois-abortos-para-nao-dividir-marido-com-filhos,554e5287ce867410VgnVCM4000009bcceb0aRCRD.html  acesso 25/10/14
    5 Xavier, Francisco Cândido. Leis de Amor, ditado pelo Espírito Emmanuel, SP: Ed FEESP, 1963.
    6 Peralva, Martins.O Pensamento de Emmanuel.Cap. I Rio de Janeiro: Editora FEB, 1978
    7 De Lima, Cleunice Orlandi. A Quem Já Abortou - artigo - disponível em http://www.espirito.org.br/portal/artigos/diversos/aborto/a-quem-ja-abortou.html acesso 20/10/14

    quarta-feira, 22 de outubro de 2014

    UM “TEMPLO”, UM “TROFÉU”, UM ESCÁRNIO AO CRUCIFICADO (Jorge Hessen)

    Jorge Hessen
    http://aluznamente.com.br

    O comércio da fé cristã ridiculariza a liberdade religiosa que vigora no Brasil. Aventureiros fazem escárnio da facilidade para criar uma igreja qualquer. São exigidos apenas cinco dias úteis e um pouco mais de R$ 500,00 para as despesas burocráticas a fim de fundar uma igreja de qualquer alcunha evangélica, com direito a CNPJ e tudo o mais. Basta apresentar o registro em cartório da Ata da assembleia de fundação e do estatuto social. Simples assim!

    Após esses primeiros passos, se for arrecadado muito dinheiro consegue-se comprar espaços na TV (aberta ou por assinatura) para fazer propaganda do conteúdo ideológico como se fosse um “produto” para consumo “espiritual”. Sob abjeta industrialização da “cruz”, boa parte dos programas ditos evangélicos de tevê objetiva fazer do Cristo um “menino propaganda”. Não se apresenta conteúdo legitimamente do Evangelho; a ênfase recai no sucesso e na prosperidade financeira, como se isso fosse a prioridade do Evangelho. Seus apresentadores (sempre circunspectos) se valem de mensagens “proféticas” e de “curas” e testemunhos de pessoas que teriam obtido vitórias financeiras, mediante os quais sensibilizam os telespectadores a lhes enviar vultosas contribuições.

    Nas advertências de Paulo de Tarso percebemos que nos tempos apostólicos também havia comerciantes da fé, sem compromisso com as Escrituras, interesseiros e sem respeito ao Criador, que vagueavam pelas igrejas cristãs usando o Evangelho para obter lucro.1 Isso levou o Convertido de Damasco a mostrar aos cristãos de Corinto que ele era diferente desses aproveitadores.2 Referindo-se aos falsos mestres, o apóstolo Pedro também alertou os religiosos da época sobre os que mercadejam a fé”.3

    No livro “Uma Breve História do Mundo”, Geoffrey Blainey afirma: “A Igreja [de Roma] reuniu cobradores de impostos profissionais e, assim como as pessoas que hoje ajudam a angariar fundos nas instituições de caridade, eles se encarregavam de vender indulgências. (...) Martinho Lutero detestava a prática de venda de indulgências, que nada mais eram que pacotes caros pagos pelo perdão. Em 31 de outubro de 1517, afixou seus protestos em latim à porta da igreja do castelo de sua cidade”4. Quase concomitante ao ideário do sacerdote agostiniano irrompe-se a liderança do protestante Calvino.

    Para o sociólogo Max Weber, a religião exerce uma profunda influência sobre a vida econômica. Mais especificamente, a teologia e a ética do calvinismo foram fatores essenciais no desenvolvimento do capitalismo do norte da Europa e dos Estados Unidos. Weber baseou-se principalmente nos puritanos e em grupos influenciados por eles. Ao analisar os dados, concluiu que entre os puritanos surgiu um “espírito capitalista” que fez do lucro e do ganho um dever. Ele argumenta que “esse espírito resultou do sentido cristão de vocação dado pelos protestantes ao trabalho e do conceito de predestinação, tido como central na teologia calvinista. Finalmente, a secularização do espírito protestante gerou a mentalidade e as realidades cruéis do mundo dos negócios”.5

    Segundo o Censo do IBGE, as religiões “reformadas” dobraram o número de devotos no Brasil entre 2000 e 2010, e já ultrapassam a 22% da população. A sua extensão social de influência é descomunal. Recentemente foi inaugurado em São Paulo um mega “templo” contendo 74 mil m² de área construída, 52 metros de altura, 105 de largura e 121 de profundidade. Para a construção foram utilizados 28 mil m³ de concreto e quase 2 mil toneladas de aço, além da importação de 40 mil m² de pedras de Hebron, em Israel. O “templo” custou a ninharia de R$ 630 milhões (isso mesmo, mais de meio bilhão de reais).6

    Durante a inauguração da faraônica “casa do senhor”, o empreendedor e proprietário-mor do “templo” convidou a todos (cerca de 15 mil pessoas) a pegar os envelopes colocados no encosto das cadeiras e requereu modestamente: “Escreva o seu pedido de oração para colocar nas pedras do altar! Quem quiser pode fazer uma “oferta”, pois há milhares de máquinas de cartões de crédito e débito espalhadas pelo salão”; porém os fiéis doaram dinheiro vivo. O resultado das doações observou-se no dia posterior, quando pousou um possante helicóptero no terraço do “templo” inaugurado, e para a aeronave foram transportadas malas e malas abarrotadas de “ofertas”, conforme poderá ser comprovado no link: https://www.youtube.com/watch?v=xVhpZo5dEUs.

    Detalhe: Jesus não foi convidado para a inauguração. Ele não tinha credenciais pois era pobre demais para ter acesso ao luxuoso e baldio “templo”. Nos bons tempos apostólicos, O Divino Galileu expulsou os vendilhões, reclamando que estavam transformando sua casa em um “covil de ladrões”. Mas Ele também profetizou o desmoronamento daquela construção de pedra: “Ao sair do templo, os discípulos aproximaram-se de Jesus e fizeram-no apreciar as construções. Jesus, porém, respondeu-lhes: Vedes todos estes edifícios? Em verdade vos declaro: não ficará aqui pedra sobre pedra; tudo será destruído”.7 O general Tito poderá fornecer detalhes de como o demoliu... Essa reprovação de Jesus do comércio das coisas abençoadas recaiu sobre as permutas de muambas religiosas praticadas pelos vendilhões do Templo de Jerusalém. Ao expulsá-los, o Mestre deu enérgica demonstração de que não se deve comerciar com as coisas espirituais, nem torná-las objeto de especulação ou meio de cobiças.

    É insano transformar um templo religioso em uma Agência Mercantil. Viver o Evangelho, Sim! Ganhar rios de dinheiro à custa da mensagem do Cristo, Jamais! Nada é tão espúrio para um cristão que o exercício da industrialização do Evangelho. É deplorável identificarmos “religiosos” (ressalvando-se as honrosas exceções) que se postam quais “apóstolos” do Cristo, com evidente desprezo ao código da ética cristã.

    O Cristo advertiu em vários segmentos do Evangelho sobre os “evangelizadores” oportunistas, comparando-os a "lobos em pele de cordeiros". A lógica humana é dilacerada diante da exploração da fé. Não há como emudecer perante os que se valem de todos os tipos de mídias para pregar o Evangelho em “nome de Deus”, deslumbrando os seguidores afirmando que a clemência do Pai somente pode ser obtida através da “oferta” financeira.

    Há muitos falsos cristos e falsos profetas representados por filosofias, doutrinas, seitas e religiões mercantilistas que escravizam os homens e exploram a boa fé das pessoas que sofrem. Jesus, há dois mil anos repreendeu: "Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração. Porém, vós a tendes transformado em covil de ladrões".8 Hoje, discorrem sobre as escrituras numa maníaca exaltação do Cristo, atrelam suas prédicas à moeda de troca, onde quem for mais generoso (mão aberta) e destinar maior quantia em dinheiro terá maior benefício “celestial”.

    Os desprevenidos religiosos nutrem-se da "fé cega" que lhes é infligida por meio de discursos abrasados e encenações de pseudo-exorcismos, onde o que de fato ocorre são catarses anímicas e/ou “incorporações” de obsessores que se deleitam diante dos patéticos e deprimentes espetáculos.

    "Ai de vós, condutores de cegos, pois que dizeis: Qualquer que jurar pelo templo, nada é; mas o que jurar pelo ouro do templo, ou pela oferta, este faz certo. Insensatos e cegos! Pois qual é maior: a oferta, o ouro, ou o templo de Deus?”.9

    Mais uma vez evocamos Paulo, quando admoestou os cristãos de Corinto: “Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores. Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas; antes, segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão.”.10 A única moeda que o Criador acolhe como câmbio é o amor ao próximo.

    Referências bibliográficas:

    1 II Co. 11.3-15 e ITm. 6.9-10
    2 II Co 2.17
    3 II Pe 2.1-3
    4 Geoffrey. Uma Breve História do Mundo, Curitiba: Ed. Fundamento, 2004, página 185
    5 Weber, Max. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, São Paulo: Ed Cia das Letras, 2004
    6 O dinheiro, oficialmente, veio de doações de fieis de todo o mundo.
    7 Mateus, capítulo 24
    8 Mateus, XXI; 12 e 13
    9 Mateus, XXIII; 16
    10 I Timóteo 6:6-11

    terça-feira, 14 de outubro de 2014

    IMPLOREMOS A DEUS PELOS FILHOS DE ABRAÃO (Jorge Hessen)

    Jorge Hessen

    Será que é legítimo analisarmos o conflito entre judeus e palestinos seguindo o pleito de quem chegou primeiro à região? Historicamente, os palestinos (antigos filisteus) estão naquelas terras muito antes de Isaque. Por esse aspecto, os judeus deveriam abandonar a Palestina e voltar a ser um povo errante, como era Jacó (Israel) e seus filhos, ou então deveriam pedir cidadania iraquiana e se fixarem no Iraque, local onde ficava a cidade de Ur, de onde saiu Abraão.
    A questão de utilizar o critério de quem chegou primeiro à região pode gerar dúvidas, pois em que pese os filisteus (antepassados dos atuais palestinos) habitarem aquela terra muito antes dos israelitas, é possível que outros povos tenham sido expulsos pelos filisteus a fim de tomarem o seu lugar. Destarte, os palestinos podem se basear no argumento, não de quem estava primeiro na terra, mas de quem a conquistou há mais tempo. O imbróglio da questão está aí, pois nesse caso, o direito passou para os judeus atuais, que conquistaram a terra após a Segunda Guerra tal como fizeram os palestinos no passado.
    De que maneira a humanidade atual poderá ajudar palestinos e Judeus a solucionar esses dilemas históricos? Seria através dos canais diplomáticos da ONU, da ação dos que lutam pela Justiça, pela Dignidade Humana, pela Paz? Enquanto não há solução imediata, eis quena pequena vila de Bilin, perto da capital Ramallah (Palestina), foi criado um jardim para homenagear os civis mortos durante os conflitos entre Israel e a Palestina. As flores são plantadas em granadas desativadas. Mohammed Khatib, um dos organizadores da vila onde o jardim foi construído, afirma que o objetivo é mostrar que a vida pode nascer também da morte. O uso de uma granada desativada como recipiente para plantas é uma ótima forma de chamar a atenção para uma região cansada de guerra e de perdas humanas dos dois lados.1
    Recordo que no dia 25 de maio de 1982, o Skyhawk, um caça-bombardeiro da Força Aérea Argentina, pilotado por Mariano Velasco, investiu contra uma embarcação militar inglesa deixando um saldo de 19 mortos. Dois dias depois, o também Skyhawk pilotado por Velasco foi abatido no Estreito de São Carlos, arquipélago no Atlântico Sul, por Neil Wilkinson, artilheiro antiaéreo no navio de combate HMS Intrepid da Inglaterra. O argentino sobreviveu ao saltar de paraquedas poucos minutos após ser atingido.
    Quase três décadas após o fim do confronto entre Argentina e Grã-Bretanha pelas ilhas Malvinas2, os dois ex-inimigos de guerra viveram um encontro emocionante. "Meglio tardi che mai” – como diz o provérbio italiano ("Antes tarde do que nunca"), Mariano Velasco recebeu em sua casa na província de Córdoba, para um magnificente banquete, o veterano artilheiro inglês Neil Wilkinson. Atualmente são amigos e se correspondem com certa frequência por e-mail, Facebook ou Skype.
    O episódio inevitavelmente nos remete para reflexões sobre a guerra. Qual a base lógica que justifica uma guerra? Os Benfeitores do Além admoestam que a guerra é a “predominância da natureza animal sobre a natureza espiritual e satisfação das paixões”.3 No transcurso da guerra, predominou entre Velasco e Wilkinson a índole selvagem sobre a espiritual. Hoje, 30 anos depois, a situação é inversa entre os dois ex-combatentes inimigos do front de batalha.Infelizmente, o “caso Velasco/Wilkinson” é uma raríssima exceção, pois nem sempre esse é o desfecho entre ex-inimigos de guerra.
    Onde se encontram os valores morais da sociedade contemporânea? Muitas religiões estão amordaçadas pelas injunções de ordem econômica e política. A Doutrina dos Espíritos tem efetuado o esforço hercúleo de sustentar acesa a luz da crença nas plagas iluminadas da razão, da cultura e do direito. Embora seja “o esforço do Espiritismo quase superior às suas próprias forças, o mundo não está à disposição dos ditadores terrestres. Jesus é o seu único diretor no plano das realidades imortais.”4
    Cremos que judeus e palestinos podem conviver, no respeito recíproco, trocando o fuzil pelo magnificente banquete, transmutando a exclusão pela partilha, alterando a incompreensão pela tolerância. Quem sabe a Doutrina dos Espíritos, nessa conjuntura, possa levar-lhes a Mensagem do Evangelho, consubstanciada na lei do amor, da fraternidade, do perdão, da reencarnação, da comunicabilidade dos desencarnados, transformando gradualmente as leis de Moisés e Maomé, justificados pela lei de talião (olho por olho, dente por dente), que têm gerado cada vez mais ódio sobre ódio, tal como estamos assistindo no proscênio dessa estúpida guerra do Oriente Médio!
    Anota Emmanuel que "épocas de lutas amargas, desde os primeiros anos do século XX, a guerra se aninhou com caráter permanente em quase todas as regiões do planeta. A Liga das Nações, o Tratado de Versalhes, bem como todos os pactos de segurança da paz, não têm sido senão fenômenos da própria guerra.”5 Sem tolerância, toda fé se resume em adoração inútil; a paz não passa de uma flor incapaz de frutescência e a própria solidariedade se circunscreve a um jogo de palavras brilhantes, em torno do qual judeus e árabes costumam parecer pronunciando maldições. Jesus, um excelso filho da região, declarou que nos daria a sua paz, que deixaria para nós a sua paz, e neste instante em que filhos de Abraão se destroçam, são válidas todas as fórmulas (políticas, econômicas, sociais, religiosas) para a busca da paz entre eles.

    Referências bibliográficas:
    [2] Falklands (para os britânicos)
    [3] Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2000 Perg. 742
    [4] Xavier, Francisco Cândido. A Caminho da Luz, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1976

    [5] idem

    terça-feira, 7 de outubro de 2014

    DESVARÍOS DE UM ILUSTRE E INSURGENTE FÍSICO ( Jorge Hessen )


    Jorge Hessen
    http://aluznamente.com.br

    Stephen Hawking, um dos mais influentes físicos teóricos desde Einstein, confinado a uma cadeira de rodas por conta de uma Doença Neuronal Motora (MND), tem asseverado insistentemente que não há a necessidade de invocar Deus para explicar a existência do Universo. Garante que “não existe nenhum paraíso e ou vida após a morte.”1 Sob o deslumbramento de sua inócua inteligência, continuamente negando a vida espiritual, Hawking já admitiu que tentou o suicídio na década de 1980, quando a doença neurológica comprometeu suas capacidades de respirar e falar.

    Ateu e materialista, Hawking infelizmente desconhece que o suicida, além de sofrer no mundo espiritual as dolorosas consequências de seu gesto impensado de revolta diante das leis da vida, ainda renascerá com todas as sequelas físicas daí resultantes, e terá que arrostar, novamente, a mesma situação provacional que a sua flácida fé e distanciamento de Deus não lhe permitiram o êxito existencial. Provavelmente as atuais restrições físicas do afamado e insurrecto cientista sejam decorrência de alguns suicídios cometidos em vidas anteriores.

    Nós, espíritas, sabemos que o suicídio é a mais desastrada maneira de fugir das provas ou expiações pelas quais deve passar o homem. É uma porta falsa em que o indivíduo, julgando libertar-se de seus males, precipita-se em situação muito pior. Arrojado violentamente para o além-túmulo, em plena vitalidade física, revive, intermitentemente, por muito tempo, os acicates de consciência e sensações dos derradeiros instantes, além de ficar submerso em regiões de penumbras, onde seus tormentos serão importantes para o sacrossanto aprendizado, flexibilizando-o e credenciando-o a respeitar a vida com mais empenho.

    Sob o guante de enfermidade que poderia representar um benévolo convite da vida para reflexões espirituais, o rebelado cientista britânico permanece sob o jugo de ingênua birra contra as Leis do Criador. Stephen tem apresentado argumentos incoerentes, defendendo o direito de um paciente terminal optar pela morte assistida (eutanásia). Expõe o insurgente Hawking que "se alguém tem uma doença terminal e está sofrendo tem o direito de escolher colocar fim a sua vida.".2

    Ignora o revoltado físico britânico que o médico que pratica a eutanásia não honra o Juramento de Hipócrates, o “Pai da Medicina”, que viveu na Grécia, 460 a.C., e era tido como descendente de Esculápio, o deus da medicina. Seu compromisso de honra é considerado a lei moral maior da arte e da ciência de curar. Sua íntegra, muito pouco conhecida, contém a proibição tácita da eutanásia. Vejamos.

    “Juro por Apolo, médico, por Asclépios, Hiligéia e Panacéia e tomo por testemunha todos os deuses e todas as deusas fazer cumprir conforme o meu poder e a minha razão o juramento cujo texto é este: Aplicarei os regimes, para o bem dos doentes, segundo o meu saber e a minha razão, nunca para prejudicar ou fazer mal a quem quer que seja. A ninguém darei, para agradar, remédio mortal [eutanásia], nem conselho que o induza à destruição.”

    Não cabe ao homem, em circunstância alguma, ou sob qualquer pretexto, o direito de escolher e deliberar sobre a vida ou a morte de seu próximo, e a eutanásia, essa falsa piedade, atrapalha a terapêutica divina nos processos redentores da reabilitação. Os discípulos de Allan Kardec sabem que a agonia prolongada pode ter finalidade preciosa para a alma e a moléstia incurável pode ser, em verdade, um grande benefício para o doente. Pois nem sempre conhecemos as reflexões que o Espírito pode fazer nas convulsões da dor física e os tormentos que lhe podem ser poupados graças a um relâmpago de arrependimento.

    Deste modo, entendamos e respeitemos a dor como instrutora das almas e, sem vacilações ou indagações descabidas, amparemos quantos lhe experimentam a presença constrangedora e educativa, lembrando sempre que a nós compete, tão-somente, o dever de servir, porquanto a Justiça, em última instância, pertence a Deus, que distribui conosco o alívio e a aflição, a enfermidade, a vida e a morte, no momento oportuno.


    Referências:
    [1] Disponível em http://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/stephen-hawking-%E2%80%9Cvida-apos-a-morte-e-um-conto-de-fadas%E2%80%9D acessado em 04/10/2014
    [1] Disponível em http://noticias.terra.com.br/mundo/europa/stephen-hawking-admite-em-entrevista-que-tentou-suicidio%2c09f60cf493447410VgnVCM3000009af154d0RCRD.html acessado em 01/10/2014

    quinta-feira, 18 de setembro de 2014

    ATIRE-LHE A PRIMEIRA PEDRA (Jorge Hessen)

    Jorge Hessen
    http://aluznamente.com.br

    As três principais religiões abraâmicas apresentam algumas similaridades. Por questões óbvias elas são monoteístas e concebem um Deus com atributos antropomórficos. As características de suas narrativas partilham relativamente os mesmos valores de histórias e lugares, embora os apresentem com desempenhos, expectativas e significados bastantes dessemelhantes. Há extremas contendas internas entre os abraâmicos com base nas particularidades doutrinais e suas práticas, a exemplo do tradicional cristianismo, desmembrado em três segmentos (católico, ortodoxo e protestante). O cognominado islã tem dois ramos (sunitas e xiitas), cada um tendo várias denominações. E o quase eclético judaísmo contemporâneo se apresenta também sob várias denominações (ortodoxos, conservadores e reformistas).
    Quase sempre, em vários locais as diferentes religiões abraâmicas denunciam um conflito amargo entre si através de intolerância, guerra e terrorismo, com muito derramamento de sangue humano. “No início do século XXI havia 3,8 bilhões de seguidores das três principais religiões abraâmicas e estima-se que 54% da população mundial se considere adepta de uma dessas religiões.”1 Nesse panorama nefasto, ainda hoje chegou-nos a notícia de que jihadistas2 ultrarradicais da província setentrional síria de Raqa condenaram e mataram através do apedrejamento em uma praça pública (tradição mosaica), uma mulher de Tabaqa, sob a acusação de adultério, conforme afirmou o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).
    Infelizmente observa-se aqui uma prática consoante a tradição abraâmica: consta no Decálogo a lei do "não adulterarás”3,  motivo pelo qual o Velho e Novo Testamentos estão superlotados de advertências sobre o tema. Consta em Êxodos, em  Levítico, nas narrativas de Jeremias, de Ezequiel, de Oséias e outros, e são assinaladas nos Evangelhos, citações sobre o assunto. Mateus expõe: "Vocês ouviram o que foi dito: 'Não adulterarás'. Mas eu digo: Qualquer que olhar para uma mulher e desejá-la, já cometeu adultério com ela no seu coração”.4 Marcos anota: “Ele respondeu: Todo aquele que se divorciar de sua mulher e se casar com outra mulher, estará cometendo adultério contra ela. E, se ela se divorciar de seu marido e se casar com outro homem, estará cometendo adultério".5 Um homem comete adultério com a mulher do seu próximo, outro contamina vergonhosamente a sua nora, e outro desonra a sua irmã, filha de seu próprio pai”.6
    Nas Velhas Escrituras, constam em Provérbios: “Mas o homem que comete adultério não tem juízo; todo aquele que assim procede a si mesmo se destrói. Gazela amorosa, corça graciosa; que os seios de sua esposa sempre o fartem de prazer, e sempre o embriaguem os carinhos dela”.7 Nas narrativas dos três profetas lemos "Por que deveria eu o perdoar?" "Seus filhos me abandonaram e juraram por aqueles que não são deuses. Embora eu tenha suprido as suas necessidades, eles cometeram adultério e frequentaram as casas de prostituição”.8 “E entre os profetas de Jerusalém vi algo horrível: eles cometem adultério e vivem uma mentira. Encorajam os que praticam o mal, para que nenhum deles se converta de sua impiedade. Para mim são todos como Sodoma; o povo de Jerusalém é como Gomorra."9 "Você, mulher adúltera! Prefere estranhos ao seu próprio marido! (...) Eu a condenarei ao castigo determinado para mulheres que cometem adultério e que derramam sangue; trarei sobre você a vingança de sangue da minha ira e da indignação que o meu ciúme provoca.”.10 “Quando o Senhor começou a falar por meio de Oseias, disse-lhe: "Vá, tome uma mulher adúltera e filhos da infidelidade, porque a nação é culpada do mais vergonhoso adultério por afastar-se do Senhor".11
    Rememoremos Jesus. Nos idos apostólicos Ele, diante de uma adúltera, foi questionado: "Mestre, esta mulher foi surpreendida em ato de adultério. Na Lei, Moisés nos ordena apedrejar tais mulheres. E o senhor, que diz? "Eles estavam usando essa pergunta como armadilha, a fim de terem uma base para acusá-lo. Mas Jesus inclinou-se e começou a escrever no chão com o dedo. Visto que continuavam a interrogá-lo, ele se levantou e lhes disse: "Se algum de vocês estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar pedra nela". Inclinou-se novamente e continuou escrevendo no chão. Os que o ouviram foram saindo, um de cada vez, começando pelos mais velhos. Jesus ficou só, com a mulher em pé diante dele. Então Jesus pôs-se em pé e perguntou-lhe: "Mulher, onde estão eles? Ninguém a condenou?". "Ninguém, Senhor", disse ela. Declarou Jesus: "Eu também não a condeno. Agora vá e abandone sua vida de pecado".12
    No episódio da adúltera diante do Messias há um fato relevante: onde estava o adúltero? Por que então só a mulher deveria ser condenada e apedrejada? Não deveriam ambos, homem e mulher, sofrer a mesma pena, segundo a lei de Moisés? Pois o Profeta do Sinai ordenou, no caso de adultério, a condenação tanto do homem quanto da mulher13; logo, ambos deveriam ser condenados, mas com o passar do tempo, a punição passou a ser aplicada apenas à mulher, tendo em vista tratar-se de uma sociedade patriarcal e machista.
    O adultério, como "ato de se relacionar com terceiro na constância do casamento", é considerado uma grave violação dos deveres conjugais por quase todas as civilizações de quase toda a história, sendo que algumas sociedades puniam gravemente o cônjuge adúltero e/ou a pessoa com quem praticava o ato, sendo ambos passíveis de morte. Com o passar do tempo a prática de adultério passou a ser criminalmente mais grave quando praticado pela mulher em relação ao homem. Hoje em dia, embora tal discriminação não exista nas leis dos países ocidentais, ou tenha perdido sua eficácia sociológica, na prática do dia a dia a conduta continua a ser vista de forma diferenciada, dependendo do gênero de quem realiza o adultério. Hoje essa violação ainda é punível severamente, inclusive com a pena de morte, como ocorre em algumas partes do mundo, geralmente nos grupos muçulmanos, como fizeram os jihadistas. Nos países do ocidente a punição se dá muito mais brandamente, embora ainda se constitua em causa eficiente para o divórcio ou rescisão do casamento.
    Diz o Espirito Emmanuel o seguinte: “qual ocorre aos flagelos da guerra, da pirataria, da violência e da escravidão que acompanham a comunidade terrestre, há milênios, diluindo-se, muito pouco a pouco, o adultério (...) ainda permanece, na Terra, por instrumento de prova e expiação, destinados naturalmente a desaparecer, na equação dos direitos do homem e da mulher, que se harmonizarão pelo mesmo peso, na balança do progresso e da vida”.14
    Profere também o mentor de Chico Xavier que “tantos foram os desvarios dos Espíritos em evolução no planeta – espíritos entre os quais muitos raros de nós, companheiros da Terra, não nos achamos incluídos – que decerto Jesus, personalizando na mulher sofredora a família humana, pronunciou a inesquecível sentença, convocando os homens, supostamente puros em matéria de sexualidade, a lançarem sobre a companheira infeliz a primeira pedra”15
    Diante daquela adúltera, conforme narra o evangelista, recordemos que Jesus era o único que naquela circunstância possuía autoridade moral para julgar. No entanto não julgou e não condenou, nem disse se deveriam apedrejá-la ou não. Jesus apenas aguardou e pronunciou: “Atire-lhe a primeira pedra aquele que estiver sem pecado”. Esta sentença faz da indulgência um dever para nós outros, porque ninguém há que não necessite, para si próprio, de indulgência. Ela nos ensina que não devemos julgar com mais severidade os outros do que nos julgamos a nós mesmos, nem condenar em outrem aquilo de que nos absolvemos. Antes de condenarmos a alguém uma “falta”, vejamos se a mesma censura não nos pode ser feita”.16


    Notas e referências bibliográficas:

    1              Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Religi%C3%B5es_abra%C3%A2micas                               acessado em 16/09/2014
    2              Terroristas religiosos cometido por extremistas islâmicos com o propósito de atingir                              variadas metas políticas e/ou religiosas.
    3              Êxodo 20:14
    4              Mateus 5:27-28
    5              Marcos 10:11-12
    6              Ezequiel 22:11
    7              Provérbios 5:19-20
    8              Jeremias 5:7
    9              Jeremias 23:14
    10            Ezequiel 16: 32-38
    11            Oséias 1:2
    12            João 8:4-11
    13           "Se um homem cometer adultério com a mulher de outro homem, com a mulher do seu                         próximo, tanto o adúltero quanto a adúltera terão que ser executados”. Levítico 20:10
    14            Xavier, Francisco Cândido. Vida e Sexo – Cap. “Adultério e prostituição”, ditado pelo                          espírito  Emmanuel, RJ: Ed. FEB, 2001
    15            Xavier, Francisco Cândido. Vida e Sexo – Cap. “Adultério e prostituição”, ditado pelo                          espírito  Emmanuel, RJ: Ed. FEB, 2001
    16            Kardec, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo, Capítulo X, item 13, RJ: Ed FEB, 1999

    sexta-feira, 12 de setembro de 2014

    UM CASAL, UMA UNIÃO CONTROVERTIDA E UM SISTEMA PENITENCIÁRIO INEFICAZ (Jorge Hessen)

    Jorge Hessen
    http://aluznamente.com.br

    Lemos interessante reportagem sobre o entrelace improvável de um casal que atualmente sobrevive em uma parada de ônibus na via DF-140, em Brasília. A nossa reação inicial àquela união foi de certa inquietação, em face de “Maria” [nome fictício], de 45 anos, ter largado os seis filhos para viver com o ex-presidiário “João” [também fictício], de 50, que diz ter passado 26 anos na cadeia por ter cometidos vários homicídios.1
    Os dois decidiram “residir” num ponto de ônibus, próximo ao Complexo Penitenciário da Papuda. “João” foi posto em liberdade no final de 2013, e optou morar na rua para "não incomodar" familiares e amigos. “Maria” e “João” improvisaram uma barraca de campanha e sobrevivem com a ajuda de doações de quem passa pela região. “Maria”, que conheceu o “João” há cinco anos, em uma confraternização ocorrida durante o célebre “saidão”, afirma ter certeza da decisão tomada. Na época, ela já estava separada e trabalhava como faxineira em um bar.
    Evidentemente o personagem “Maria” não está cometendo crime algum ao ficar enamorada por um ex-presidiário. Ela encontra razões para ficar inconformada em face das críticas recebidas por tão atrevida decisão (talvez não necessariamente pela escolha de morar na rua com “um ex-detento”, porém pela renúncia aos filhos). Cremos que o razoável seria que a união com “João” ocorresse sem necessidade do abandono da família.2
    Subestimando aqui a decisão de “Maria”, destacaremos o tema em torno das declarações do ex-detento. Na reportagem, “João” assegura que obteve bom aproveitamento durante o período de encarceramento. Diz que estudou e participou de oficinas de pintura, serralheria, jardinagem e panificação. Adotou a religião cristã à maneira dos crentes. Hoje tem ungido esforços pessoais a fim de conseguir um emprego (e sabemos o quanto é difícil essa empreita para um ex-detento). Demonstra não permanecer estático (inobstante que morando numa parada de ônibus) pois tem feito alguns biscates para sobreviver, catando material reciclado ou vendendo "balinhas, docinhos e água mineral" dentro do ônibus.3
    Como dissemos, a nossa reflexão explorará as ponderações de “João” a respeito do sistema carcerário brasileiro. Segundo afirma ele na reportagem, os presos na penitenciária morrem nas celas quais animais abandonados. A refeição é de qualidade duvidosa, o detento é humilhado e quase sempre é deixado ao relento quando está sob o impacto de qualquer enfermidade. “João” não acredita na possibilidade de recuperação de um criminoso que vive sob permanente tortura moral na cadeia. Infelizmente noticia-se, não raras vezes, pela mídia em geral, a tortura física e psicológica nos presídios e penitenciárias como uma das barbaridades cometidas em nome do Estado e da lei.
    As penitenciárias de hoje lembram bastante as masmorras medievais. É de se perguntar onde está o processo avançado das conquistas tecnológicas e sociais. Notamos que os cárceres atualmente não servem para educar; pelo contrário, neutralizam a formação e o desenvolvimento de valores intrínsecos, estigmatizando o ser humano. A rigor, as prisões vêm funcionando como máquinas de reprodução da criminalidade.
    O mais grave problema do sistema penitenciário brasileiro é a completa escassez de vagas, que obriga milhares de presos – muitos já condenados, até mesmo no regime semiaberto – a conviver em condições reconhecidamente aviltantes, em xadrezes de delegacias policiais, com muita frequência, revezando-se para dormir. Nesse contexto, devemos considerar que o espírita-cristão deve se armar de sabedoria e de amor para atender à luta que vem sendo desencadeada nos cenários da sociedade, concitando à concórdia e ao perdão, em qualquer conjuntura anárquica e perturbadora da vida moderna.
    O homem atual ainda não percebeu que somente a experiência do Evangelho pode estabelecer as bases da concórdia, da fraternidade e constituir os antídotos eficazes para minimizar a violência que ainda avassala a Terra. Sobre os criminosos, os Benfeitores Espirituais dizem que devemos amá-los na condição de criaturas de Deus que são, às quais o perdão e a misericórdia serão concedidos, se se arrependerem, como também a nós, pelas faltas que cometemos contra Sua lei. Não nos cabe dizer de um criminoso: é um miserável; deve-se expurgar da terra; não é assim que nos compete falar. Que diria Jesus se visse junto de si um desses desgraçados? Lamentá-lo-ia; considerá-lo-ia um doente bem digno de piedade; estender-lhe-ia a mão.4
    Recordemos Jesus e Suas considerações sobre a prática de um sublime código de caridade ante as questões da vida dos encarcerados: "Senhor, quando foi que te vimos preso e não te assistimos?". Ao que Ele respondera: "Em verdade vos digo – todas as vezes que faltastes com a assistência a um destes mais pequenos, deixastes de tê-la para comigo mesmo.5 Nas prisões, a reeducação deverá ser feita por meio da implantação de frentes de trabalho para profissionalização, e não apenas para tirar apenados da ociosidade, mas também abrindo segura perspectiva de integração futura na sociedade.
    Durante diversos anos participávamos de trabalhos sociais através de projetos visando a recuperação dos presos, por intermédio de uma efetiva programação de visitas permanentes à penitenciária de Brasília. Naquela época (década de 1970 e 1980) fazíamos palestras nas salas de aula da PAPUDA abordando temas sobre a valorização humana, divulgávamos a Doutrina dos Espíritos, mantínhamos uma biblioteca de livros espiritas, cantávamos músicas doutrinárias, instituíamos grupos de voluntários para apadrinharem presos, mantínhamos contato com parentes deles e distribuíamos cestas básicas para familiares dos recuperandos.
    Em nossa tela mental estão vivas as recordações daqueles magnos tempos, sabendo que esses foram alguns dos modestos métodos levados a efeito pelo nosso grupo espírita de visita, cujo objetivo era a materialização do aumento do índice de recuperação dos internos da PAPUDA por meio das lições de Jesus com o robusto apoio das revelações espíritas.


    Notas e referências bibliográficas:

    1              Disponível em http://g1.globo.com/distrito-federal/noticia/2014/07/faxineira-larga-filhos-para-morar-com-ex-preso-em-ponto-de-onibus-no-df.html?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=g1 acesso 10/09/2014
    2              Os filhos atualmente têm entre 16 e 22 anos e moravam com ela.
    3              Disponível em http://g1.globo.com/distrito-federal/noticia/2014/07/faxineira-larga-filhos-para-morar-com-ex-preso-em-ponto-de-onibus-no-df.html?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=g1 acesso 10/09/2014
    4              Kardec, Allan.  O Evangelho Segundo o Espiritismo.  Caridade ara com os criminosos, instruções de Elisabeth de France (Havre, 1862),  Rio de Janeiro: Ed FEB, 2000, Cap. 11 
    5              Mt 25:31-46 

    quinta-feira, 11 de setembro de 2014

    OS “FALECIDOS” QUE “RESSUSCITAM” NUMA APRECIAÇÃO ESPÍRITA (Jorge Hessen)

    Jorge Hessen
    http://aluznamente.com.br

    Certa feita fomos informados sobre determinado homem de 87 anos de idade que deu um grande susto em seus familiares ao acordar durante seu próprio funeral. Eles oravam sobre seu corpo quando o “falecido” teria começado a engasgar e, de repente, “acordou”. O velho havia sido levado do hospital, vestido adequadamente para o funeral e colocado no local onde seria realizado o velório. Após "reviver", o homem foi novamente encaminhado ao hospital. Segundo informações do jornal Shangai Daily, os médicos ficaram perplexos com a sua impressionante recuperação.

    Caso semelhante ocorreu em Zamboanga do Sul, nas Filipinas. Uma menina de três anos que havia sido declarada morta pelos médicos "acordou" durante o seu funeral. Ela havia tido febre severa durante vários dias e, por isso, teria sido levada a uma clínica para passar por uma consulta. O médico e o assistente confirmaram que a menina não tinha mais pulso e estava clinicamente morta. (1)

    Há inquietas reportagens de casos de “ressuscitação” espontânea nos funerais que acontecem em inúmeros países. Na biografia da médium Ivone Pereira, consta que ela, com 29 dias de nascimento, depois de sofrer um acesso de tosse, sofreu uma sufocação que a deixou como “morta”. Durante 6 horas permaneceu em estado cataléptico. O médico e o farmacêutico atestaram morte por sufocação. O velório foi preparado. “A suposta defunta foi vestida com grinalda e vestido branco e azul, e o caixão encomendado. A mãe, que não acreditava que a filha estivesse morta, retirou-se para um aposento, onde orou fervorosamente a Maria de Nazaré, pedindo que a situação fosse definida. Instantes depois, a criança “acordou” aos prantos.”(2)

    Já ouvimos algumas conversas tenebrosas sobre pessoas que teriam sido dadas como mortas e enterradas vivas durante um surto de catalepsia (3) ou letargia (4). Há notícias de que existem casos de pessoas que foram enterradas “vivas”. “A catalepsia se manifesta como um tipo de perturbação de natureza psicomotora, produzindo parada dos movimentos voluntários, sem qualquer lesão física. A letargia é um estado de sono profundo, no qual as funções orgânicas se apresentam, aparentemente, interrompidas, entre elas, as de respiração e circulação.”(5) Kardec analisou situações de quase-morte na Revista Espírita.

    Há diversos casos de letárgicos, pessoas que chegaram a ser consideradas mortas pela medicina da época, como a Sra. Schwabenhaus(6)ou que passaram por situações de claro risco de morte, ou como o Dr. “D.”, que ficou mais de meia hora debaixo d’água e foi resgatado e retomou a consciência.(7) Fenômeno análogo aconteceu nos tempos apostólicos nas figuras de Lázaro(8), da filha de Jairo(9) e do filho da viúva de Naim.(10)

    A letargia pode surgir a partir de alguns fatores importantes, como uma doença grave (o paciente entra em estado de coma); indução medicamentosa (há substâncias que provocam o coma artificial); hipnose (indivíduos sensíveis podem ser induzidos ao transe letárgico; transe mediúnico (em determinados desdobramentos, particularmente na chamada “bilocação”(11), quando o Espírito afasta-se do corpo e se materializa alhures, há enorme dispêndio das energias do médium, com o auxílio de mentores espirituais. Para tanto, ele entra em estado letárgico); autoindução (há faquires indianos que se fazem sepultar vivos. Entram em estado letárgico por sua própria iniciativa. Com o organismo funcionando em ritmo lento, o consumo de oxigênio é mínimo. Daí conseguirem sobreviver por horas e até dias. É algo semelhante aos animais que hibernam, como os ursos).

    Allan Kardec indagou aos Espíritos se na letargia o Espírito pode separar-se totalmente do corpo, de forma a dar-lhe todas as aparências de morte, e voltar em seguida. Os Benfeitores explicaram que “na letargia, o corpo não está morto, visto que as funções orgânicas continuam a processar-se; a vitalidade permanece em estado latente, como na crisálida, e não se extingue. Ora, o Espírito está unido ao corpo enquanto ele viver. Uma vez os laços rompidos pela morte real e pela desagregação dos órgãos, a separação será completa e o Espírito não volta mais. Quando um homem aparentemente morto volta à vida, é porque a morte não foi consumada.”(12)

    Em seguida, Kardec inquire se é possível, através de cuidados dispensados a tempo, renovar os laços a se romperem e devolver à vida um ser que, sem esses recursos morreria realmente. – Sim, sem dúvida, explicam os Espíritos – “e disso tendes prova todos os dias. O magnetismo é nesses casos, muitas vezes, um meio poderoso, porque dá ao corpo o fluido vital que lhe falta e que era insuficiente para entreter o funcionamento dos órgãos.(13)

    Na concepção do Codificador, “a letargia e a catalepsia têm o mesmo princípio, que é a perda momentânea da sensibilidade e do movimento, por uma causa fisiológica ainda inexplicada. Elas diferem entre si em que, na letargia, a suspensão das forças vitais é geral, dando ao corpo todas as aparências da morte, e na catalepsia é localizada e pode afetar uma parte mais ou menos extensa do corpo, de maneira a deixar a inteligência livre para se manifestar, o que não permite confundi-la com a morte. A letargia é sempre natural; a catalepsia é às vezes espontânea, mas pode ser provocada e desfeita artificialmente pela ação magnética.”(14)

    Portanto, seja no estágio letárgico ou na condição de catalepsia, não há morte, até porque todas as funções vitais permanecem ativas. A frequência vital é que se torna mais vagarosa, qual ocorre na hibernação, conferindo ao corpo a aparência de um cadáver.

    Notas e referências bibliográficas:

    1 Disponível em http://philsatr.com acesso 01/09/2014
    2 Disponível em http://www.uemmg.org.br/pioneiros/yvonne-do-amaral-pereira/ acesso 02/09/2014
    3 O ataque cataléptico costuma também ser chamado de morte aparente porque o paciente jaz inerte, como que mumificado, sem movimentos e com as funções vitais significativamente reduzidas.
    4 Letargia, em “O Livro dos Espíritos” significa em estado de “perda temporária da sensibilidade e do movimento”, em que o corpo parece morto, no qual os sinais vitais se tornam quase imperceptíveis, a respiração reduz-se bastante e a pessoa pode ser tomada como morta.
    5 Franco, Divaldo. Mediunidade - Encontro com Divaldo, SP: Ed. Mundo Maior, 2ª edição, 2000)
    6 Kardec, Allan. Revista Espírita-1858, DF: Ed. Edicel, 2002
    7 Idem Revista Espírita 1867
    8 João, 11:1-54
    9 Lucas 8:49-56
    10 Lucas 7:11/17
    11 Bilocação significa estar em dois lugares diversos ao mesmo tempo e bicorporeidade aparecer com dois corpos em dois lugares distantes. A explicação é das mais simples. Dá-se o desdobramento e a pessoa desdobrada viaja em Espírito para outra região que esteja momentaneamente ligada aos seus objetivos. Lá chegando, com o apoio da Espiritualidade, reveste seu perispírito com ectoplasma, tornando-se visível, audível e tangível.
    12 Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1999, pergunta 423
    13 Idem pergunta 424
    14 Idem , comentário de Allan Kardec às perguntas 423 e 424